quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Segundo

Se são as noites que trazem o tempo
que faço eu com o tempo de agora?
Não me diga que o amanhã vem
Não vem: sendo amanhã, amanhã não mais será

As horas que de gota em gota se vão
penso eu que retornam, vez ou outra
Cada lembrança é volta, estática promessa
é incessante perda do atual

E eu me lembro e não canso de lembrar
eu perco o tempo do dia que virá
Me recordo do que hoje já não é
Vivo o ontem, como quem amanhã não quer

E eu te vejo lá, regando o jardim
Serão lembranças ou desejo em mim?
Será o hoje, perdido no que foi?
Será a vida e seu ciclo do depois?

É mais que parda folha caindo em meu chão:
É a angústia do sempre, amém.


Laís Leite

Um comentário:

Nelson disse...

muitobom muitobom!!!

de resto, você já sabe o que eu penso, né?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Beijo!